Semana de remontagem de repertorio é sempre assim. Eu fico tentando entender a cabeça do público. Se não bastassem os pensamentos em "loops", agora tenho convivído com a busca pela origem dos mesmos. Como quem desconfia das próprias conclusões ou coloca em "check" sua própria lucidez. É nos primeiros momentos de luz na retina, (ainda coberta pela pálpebra), que alterno o pensamento entre romances ininteligíveis e teorizações das minhas revoltas diárias.
Se a alienação ou simplesmente mal gosto artístico cultural é tão comum nas pessoas, talvez essa seja a verdadeira identidade do "ser humano tupiniquim" como consumidor de arte. E eu seja apenas um doente sedento por metáforas, variedade de temas, dinâmica na interpretação, figuras de linguagem, neologismos que não se resumam em Tcha, Tererês e afins e por sensações que só o pensamento posto a prova pode me causar.
Pode ser grave isso: Achar que não existe "sexy apeel" na tão sexuada Lelelê ou Tchu-Tcha-Tcha e ter a libido alterada pela destreza das palavras do Chico em "A História de Lily Braun" (na versão da Gadú). E não é por ser uma voz feminina, pois pode ser um perigo ouvir a quase auto-ajuda "Sometimes You Can't Make it on Your Own" do U2, acompanhado por batom de tom claro e cheiro bom a 17 graus.
Só pra concluir o raciocínio dessa quarta (de Temaki duplo) ensolarada, e por pra fora o que me aflige, acho que se é pra festar vale tudo, mas desculpa: Toda boa música tem que ser arrebatadora e eterna. Ou te surpreende no tema ou na forma como o traduz. Ou a melodia é única ou te convence que uma pequena diferença de interpretação te faz repensar completamente o que pensava ter esgotado em compreensão.
Quando você ouve a boa música, ela parece ser a melhor do mundo no momento em que toca. Melhor até que "Stand By Me", por incrível que pareça. Ela desperta algo além da epiderme do raciocínio e você começa a enxergar algo que supostamente só poderia ouvir. Não tem que ser perfeita, atual ou popular, basta ter permissão óbvia para ser a trilha sonora da sua vida, e pode perguntar ao James Homer, a trilha sonora é fundamental!!
Me da um aperto no peito ver tantos artistas se resumirem a pobres coitados que sobrevivem por mecenas. Da uma tristeza saber que muito pouco ou quase nada do que se é produzido hoje sera lembrado nas próximas gerações. Os doentes como eu, serão eternos saudosistas de épocas que talvez nem viveram. E assim caminha a humanidade!
Boa quarta galera...
quarta-feira, 30 de maio de 2012
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