quinta-feira, 2 de junho de 2011

01/06/2011

Ele não é nada bobo. Quando me vê entrando meio desconfiado, puxando uns assuntos nada a ver, na hora ele sabe do que se trata. Lógico, não é tão difícil já que a inspiração estampa um sorriso orgulhoso na minha face. Tenho isso desde quando li Carlos Drummond de Andrade pela primeira vez. Agora sempre que acontece eu imagino ele tendo orgulho de mim, já que na época eu ainda não tinha os requisitos básicos para ser amigo do nobre escritor.
Voltando ao blog, eu nunca tenho paciência pra escrever. A vida se tornou corrida demais pra essas pausas dexesplicativas. Por isso venho pouco aqui. Apenas quando a busca pelo auto-conhecimento começa a dar topadas demais dentro do labirinto. Aí eu tenho que tomar uma atitude extrema: Venho e desabafo tudo que me amarrou durante meses de ostracismo, sempre de forma confusa, contraditória, com erros gramaticais mas eficientemente poderosa contra a sujeira da alma. Seria como lavá-la, entende o que eu digo?
A fase é outra agora desde a última vez. Quase todos aqueles conflitos se foram, exceto os que me acompanham durante toda a vida. To mais adaptado, sabe... Alias adaptação é a palavra do momento. Depois de ver na Bahia de Guanabara o primeiro raiar de 2011, tudo que tenho feito é conhecer gente nova. De lá pra cá você não faz idéia de quantos novos nomes ocuparam a minha mente. Alguns passam rápidos como o sol do amanhecer, outros parecem esse astro estático no céu do meio dia, levando a comparação ao “nível de importância do mesmo” no sistema ao qual pertence. E é bem verdade, pois a pessoa passa a fazer parte da sua vida. Sabe quando é que percebe isso? Quando a pessoa em questão se torna transparente. Ela não contrasta mais com seu meio por que passa a fazer parte dele.
A fase profissional é ótima. Grandes expectativas, muito aprendizado e até o elevador (simbolo mor de uma vida rotineira), tem estado ausente por aqui. Viajar é muito bom, né? E era aí que eu queria chegar. Porque hoje vindo pra casa me deu uma vontade de ficar quietinho em um determinado lugar... Alguma coisa em mim havia mudado, pelo menos era o que parecia. Vontade de não pensar muito e a essa altura você imagina né? Palavras tinham o valor imensurável dos produtos com pouca oferta. Até porque elas poderiam depor contra mim. Coração apertado não pela viajem em questão, mas pelo significado.
A tristeza que sinto nesse instante é boa. É aquele tipo de tristeza que não se resume a algo totalmente irremediável. É uma tristeza que me faz sentir mais humano. É uma mistura de nostalgia de minutos atrás com falência múltipla da maturidade. Tem som de telecaster tocada reta e com força, em contraste com a voz aguda meio Tom York ou Cris Martin, sabe? Como “Fake Plastic Trees” ou “Fix You”.
Alegria demais me soa mal, embora acredite ser um dever estimulá-la todos os dias nas pessoas. Sou menos “bom” quando tudo ta muito alegre. Eu sinto Deus, mas logo me ocupo demais comemorando, massageando o ego ou simplesmente deslizando sobre a situação. O choro não. Ele me remete a situação das pessoas, me preocupo com o próximo, me deixa sensível ao toque de Deus e pronto a analisar suas obras, senti-lo no ar, no céu, na esperança.
Não vou comentar sobre o que pode estar me deixando assim hoje. Pode ser perigoso precipitar ou alimentar isso, mas eu sinto muita vontade, acredite. Por mais que meus planos fossem outros, o lado menos racional de mim faz birra, puxa o cabelo... me enche a paciência me pedindo pra deixar acontecer. Acha que o meu lado mais esperto não conhece os seus planos... Todo mundo já sabe!


Boa Noite.
Vou tentar desconsiderar o mau jeito no pescoço e tentar dormir.
Até breve...