Faz um tempo que não escrevo. Que não crio e nem sequer penso de forma ordenada. Só agora, após tantos dias de alienação pessoal, após meses distantes da compreensão do que se passa dentro de mim, percebo o quanto faz falta discutir relação comigo mesmo. Lembrar de quem gosto e das coisas que detesto. Resgatar os meus anseios mais profundos, já que os superficiais são anseios comuns a todas as pessoas. Eu precisava ter um tempo pro subconsciente. Raciocinar além da rotina do trabalho e dos relacionamentos. E eu que insanamente pensava que a ociosidade causava isso. Hoje, diante de tanta agitação, vejo que a relação entre o interno e o externo ocorre como no sistema solar. É como se fosse os planetas, cada um girando e funcionando de uma forma peculiar. Agora descobri isso, e vejo que tenho que estar atento a essas individualidades. Enquanto meu corpo trabalha compulsivamente, alguma coisa dentro de mim sente falta do diálogo diário. Sente falta do choro sem motivo e sem o rótulo: “tristeza ou alegria”. Mas já esperava por isso, graças ao tempo em que conseguia organizar em minha cabeça tudo que queria. Descobri que os sonhos só se tornariam realidade se eu passasse por esse momento. Agora consigo entender, já que estou vivendo esse capítulo. É aparte da história em que as coisas não parecem mais impossíveis, mas ainda não estão concretizadas. O momento de arriscar. Incertezas, desafios, cansaço e o pior: A falta de inspiração. Tudo que quero, é resgatar a razão. Apenas entender tudo que se passa. Além do orgulho de estar produzindo, quero observar a vida com olhos de quem não está nela. Não com a perfeição de Deus, mas com o entendimento do filósofo, o rigor do crítico e acima de tudo...
COM UM POUCO DE MÚSICA...
