quinta-feira, 2 de junho de 2011

02/Dez/2009

Olah! Hoje após mais de 3 anos sem qualquer tentativa de auto-descrição, qualquer tentativa de aumentar o auto-conhecimento e qualquer iniciativa de fugir do ostracismo literário, aqui estou eu. Voltando ao inicio de tudo. Do ponto “a”, onde as pessoas descrevem da forma mais descolada possível suas posições, características principais, gostos culturais (na sua maioria “cults”) e ainda conseguem espaço em meio a tanta promoção, para alguma frase que tenha teor individualista para uma terceira pessoa ler e sentir algum efeito moral. Engraçado que na maioria das vezes o indivíduo em questão sequer se atenta que existe um perfil para ser lido na sua página principal, Rs...
Nem a pessoa “X”, nem a maioria das pessoas desse planeta. Na verdade as pessoas não se interessam por textos. Elas se interessam por fotos e comentam nelas. Interessam-se pelas visitas recentes e não vêem outro motivo para tal, sequer a profunda admiração ou interesse de paquera ou uma simples espionagem fruto da concorrência no universo feminino. Há também quem se atente para as atividades frutos da tecnologia dos frames, flashes e outras animações onde inventam novos verbos, novas formas de relacionamento onde você aperta a mão, da tiro de dragão, da beijo de assombração ou simplesmente “poqueia” com a animação do amigo o qual você quer dizer alguma coisa mas não tem nada a dizer. Esse último substitui os “tenha um excelente fds”, “te curto”, ou outros spams “do bem” que sempre enviavam na época menos popular do Orkut (que era relativamente mais interessante).
Voltando aos limites do campo “quem sou eu”, queria declarar que eu sou “outras pessoas” hoje. Entre as poucas coisas que aprendi nesses três anos e as infinitas que descobri nesse período, uma das mais interessantes é como vivemos vidas diferentes nessa nossa vidinha de menos de 1 século. De lá pra cá me vi sendo uma multidão. Pensamentos, perspectivas, prismas, ideologias, sonhos, argumentações, peso, corte de cabelo, locais freqüentados, personalidades admiradas, preconceitos, paladar, teorias conspiratórias e um monte de outras coisas que formam uma personalidade, foram tomando cores e características muito diferentes em curtos espaços de tempo. Não que eu tenha alguma coisa contra em ser uma metamorfose ambulante, mas é difícil se adaptar a cada vida nova. Cada uma delas gera pela “teoria do caos” talvez, um monte de novas atividades, valores e convívio diário. Readaptações são exigidas a cada instante modificado.
Resumindo, hoje sou um “desadaptado” (o Word corrigiu, então deve ser um neologismo neh? rs). Tenho dificuldades pra sair de casa fora o trabalho. Tenho problemas com multidões e para ir a eventos de grande porte. Adoto um jeito um tanto arrogante para abordar amigos da velha guarda, que pelo jeito já foram também uma multidão de pessoas diferentes. Falo coisas formais demais se conheço alguém do sexo oposto. Sinto-me descarregado de palavras quando tenho que ter algumas pra jogar fora quando sou apresentado a alguém que quer apenas isso: Jogar palavras fora.Esquece!
Esse sou eu. Tentando me adaptar a nova vida. Uma vida que eu gosto. A vida onde se conhece pessoas de todos os tipos. A razão da existência desse site de relacionamento: Pessoas!
O ser - humano me fascina muito. Seus modos, faces, reações rápidas as ações, reações lerdas as ações. Quebram qualquer regra ou definição. Desprezam mesmo sendo preconceituosos, qualquer raça, gênero ou time do coração, quando rotulam e com as mãos molhadas colam em suas “caras” o mesmo rótulo que escorregou da testa alheia. Odeiam e amam as mesmas pessoas com muita intensidade. Pare pra observar os casais que se formaram e hoje não se amam mais. Olhem atentamente para os olhos das crianças que sobraram meio a tudo isso. Um contraste magnífico com os olhares de seus progenitores nas audiências de partilhas de bens com seus argumentos decorados. Manual de instruções e tudo mais.
Aliás, tudo hoje em dia tem manual de instruções. Temos tudo aqui mesmo no Orkut, nos fóruns e blogs. O que funciona em audiências de variados tipos, como se comportar em lugares diversos, o que ouvir em diferentes ocasiões, “o que combina com o que” no sentido gastronômico, fashion e em um monte de outros meios, como se oferece propina, como se faz compras no Paraguai e até como ser pornográfico e fazer um atentado ao pudor sem ser punido severamente.
Ta vendo o exemplo de não adaptação? Ainda não me adaptei ao mundo do funk proibidão. Nesse momento chego a pensar que crianças menores de 16 deveriam ser proibidas de andarem em vias públicas ou de dormirem em quartos que não tenham isolamento acústico, pois é um absurdo esse pirralhos ficarem ouvindo as frases explicitas que vem dos carros que passam vibrando nossos vidros e janelas em todas as ruas das cidades.
A tática escolhida por mim nesse período foi me apegar aos modos antigos. Gosto do que é pop ainda que estes sejam bregas. Não abandonei o velho álbum ao-vivo e verde do Djavan e nem o primeiro da Norah, que me iniciaram na puberdade, rs. Gosto de entrevistas e discussões na TV, além dos simpsons e do discovery. Me amarro em política e como passional em tudo que faço quase morro de raiva ao ver declarações imbecís e argumentos que enganam a massa desinformada do nosso país. Fico furioso também quando não param na faixa de pedestres. Vivo, visto e respiro da música e curto cada momento do meu trabalho em palco e em estúdio. Luto diariamente contra a falta de auto-conhecimento e tento entender o que realmente espero dessa vida, pra me distrair e não pensar no que vem depois dela. Creio que o meu Deus criou todo esse labirinto e que ele não vai me deixar morrer de fome e sede no meio dele.
Disfarçadamente e um tanto quanto menos dramático, eu vivo aqui!